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Publicado em 2, Sep 2021 por economia_obser…
Cenário Macroeconomico
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PIB do Brasil recua 0,1% no segundo trimestre de 2021

A economia brasileira permaneceu em estabilidade no segundo trimestre de 2021, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, o PIB do segundo trimestre de 2021 somou R$ 2,1 trilhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a Agropecuária apresentou retração de 2,8% na sua atividade, mesmo movimento da Indústria, que registrou queda de 0,2%. Já o setor de Serviços apresentou expansão de 0,7%.

PIB Total

Na Indústria, destaque positivo para o setor extrativo, com expansão de 5,3% no período. Por outro lado, o setor da Transformação amarga o segundo trimestre consecutivo de queda, com redução de 2,2% na sua atividade. A escassez de insumos nas cadeias produtivas globais (como a falta de componentes eletrônicos) e o aumento dos custos de produção, vêm reverberando em efeitos nocivos para a atividade industrial. O resultado do PIB reflete os números da produção industrial observados ao longo do segundo trimestre: abril (-2,1%), maio (+1,2%) e junho (-0,5%).

O destaque positivo que vem sustentando os resultados na indústria foi o setor da Construção, que cresceu 2,7%, registrando o quarto trimestre consecutivo de expansão.

No setor de serviços, nenhuma atividade apresentou queda no trimestre, com destaque para informação e comunicação (+5,6%) e outras atividades de serviços (+2,1%), este último que compreende atividades que foram fortemente afetadas pela pandemia, tais como lavanderias, salões de beleza e tratamentos estéticos.

Consumo das famílias se manteve estável

Em relação ao PIB pela ótica da demanda, o Consumo das Famílias, que compreende cerca de 58,5% do PIB, se manteve estável (0,0%) no segundo trimestre, enquanto as despesas de Consumo do Governo cresceram (0,7%), em relação aos primeiros três meses de 2021. Apesar dos estímulos com a volta do auxílio emergencial em abril, a estabilidade no consumo das famílias pode ser explicada pela queda no salário real. O aumento nas taxas de inflação observado nos últimos meses tem como efeito a perda do poder de compra da população.

Contas demanda

A variável Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), considerada uma proxy da taxa de investimento no setor produtivo, apresentou queda de 3,6% na comparação com o trimestre anterior. Entretanto, a FBCF vem se mantendo nos níveis mais elevados dos últimos anos.

Em relação ao setor externo, destaque para a expansão de 9,4% das exportações de bens e serviços. O crescimento registrado foi o maior para um trimestre desde o primeiro trimestre de 2010, tendo como principal estímulo os preços favoráveis das commodities.

Índice

Analisando ainda o índice de volume pela ótica da demanda, é possível observar que o consumo das famílias ainda não conseguiu reestabelecer os patamares pré-pandemia, sendo este o principal vetor de impacto no PIB. Na comparação com o quarto trimestre de 2019 (livre dos impactos da pandemia), o atual nível de consumo ainda se situa 3% abaixo.

O movimento se repete na FBCF, onde havia uma tendência de queda nos últimos anos, fato este que se reverteu durante a pandemia, dada uma poupança forçada das famílias, o que se traduziu em investimentos no ramo produtivo da economia.

Crescimento da poupança

A taxa de investimento no segundo trimestre ficou em 18,2%, interrompendo o ciclo de aumentos observados nos últimos três trimestres. Já a taxa de poupança registrou o maior nível na série histórica desde 2000. O crescimento da poupança interna tem relação com a redução no consumo das famílias, sobretudo em serviços, ainda em decorrência dos efeitos da pandemia.


Brasil piora desempenho no ranking entre países

No ranking de 30 países elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o Brasil ficou na última colocação, sendo a única economia do grupo selecionado a registrar valor negativo.

Ranking países

O ritmo de vacinação contra a Covid-19 e a reabertura gradual das economias no primeiro semestre foi fator decisivo para os resultados expressivos no PIB do segundo trimestre, sobretudo nos países da União Europeia. Na América Latina, o destaque vai para o Chile. No grupo da OCDE, o Japão foi o país com o menor crescimento.

No mundo o segundo semestre do ano vem com perspectivas diferentes – o advento da variante Delta acaba por aumentar as preocupações sobre o desempenho econômico nos próximos períodos. No Brasil, a escassez de chuvas continua ligando o sinal de alerta em relação a possíveis problemas de abastecimento, tanto de água como de energia elétrica.

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